Em Outubro de 1940, Ibaragui inaugurou o 2° Templo denominado Jyogyouji de Quatá (hoje extinto), num terreno doado pelo Sr. Fuji. No dia 12 de Janeiro de 1941, foi inaugurado na cidade de Presidente Prudente, o Templo Nissenji. No mesmo ano, com o início da Segunda Guerra Mundial, a missão de expansão por parte dos bispos, sacerdotes e fiéis, encontraram sérios obstáculos, devido a política adotada pelo governo aos estrangeiros. Não eram permitidas as conversas em língua estrangeira e nenhuma reunião de qualquer natureza.
Para deslocar-se de um local a outro era necessário um salvo-conduto dos órgãos federais; nesse contexto, converter um fiel e expandir a religião era quase impossível.
Esse período durou cerca de cinco anos, até que em 1946 com o término da guerra, as medidas foram sendo gradativamente amenizadas, possibilitando a Ibaragui realizar um sufrágio (oração aos mortos, ireissai) em memória aos imigrantes falecidos no Brasil e também aos mortos na Segunda Guerra Mundial. Compareceram cerca de mil pessoas, dentre elas fiéis de outras religiões. Foi também nesse período que ocorreu a ordenação de Seiko Jimbo.
Em 1947, mais um discípulo foi ordenado por Ibaragui, chamava-se Guenjyo Ishikawa. No dia 13 de Outubro de 1951 foi inaugurada a nova sede da Religião Budista Honmon Butsuryu-Shu do Brasil, o Templo Taissenji na cidade de Lins. Nessa ocasião houve também a ordenação do sacerdote Seiro Okamura.
No início da década de 50, dentro da colônia japonesa haviam pessoas que não admitiam a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, e as brigas de “Vencedores e Perdedores” eram freqüentes. Para evitar alguma revolta por parte dos japonesesinconformados,a polícia proibiu as conversas em grupos, reuniões e viagens. Qualquer desobediência acarretava em prisão. Mas Ibaragui “Nissui Shounin” (Título de sacerdote superior concedido pela matriz em 1°. Abril de 1952), não se intimidou com as tais medidas e continuou sua missão: Para ele, sua vida era em prol do Darma e independente das constantes ameaças de prisão continuou sua missão.
Em 1965, a convite da matriz mundial, viajou para o Japão juntamente com os assistentes Oikawa Seidai, Seihan Sassaki, o fiel Toyokazu Kawazaki e o Presidente da Federação Budista do Brasil, Noboru Fujimoto. Durante três meses, viajaram pelo país inteiro, participando de congressos e seminários, visitaram Templos e lugares turísticos. Em todos os Templos por onde passou, Ibaragui foi recebido com honrarias e festas.
Retornou ao Brasil em Julho de 1965 juntamente com o Nitigue Mimaki que lhe sucederia como arcebispo no Brasil. No ano seguinte 1966, Ibaragui contraiu uma doença nas cordas vocais dificultando a comunicação oral. Mais tarde constatou-se que era câncer na garganta e sua saúde agravou-se cada vez mais, nas viagens eram necessárias várias paradas para as necessidades fisiológicas. Em 1971, com doações de fiéis de todo o Brasil, foi construído um monumento em homenagem ao Arcebispo Ibaragui Nissui na cidade de Lins, no Templo Taissenji. Para a cerimônia de inauguração, vieram do Japão o Sumo Pontífice Tanaka, o Primeiro ministro da religião, Nishimura Nitiji, bispos e sacerdotes, além de 33 fiéis.
Estiveram presentes também várias autoridades políticas, nessa ocasião Ibaragui com todo o seu esforço proferiu, com a voz quase inaudível, seu último discurso de agradecimento à todos os bispos, sacerdotes e fiéis do Brasil e Japão, que ajudaram em sua missão de expandir a Religião. Todos ficaram comovidos, sabendo que não o veriam novamente.
No dia 1°. de Novembro de 1971, todos os meios de comunicação da colônia japonesa noticiaram o falecimento de Ibaragui Nissui Shounin, aos 85 anos de idade. O funeral provocou comoção em toda a cidade de Lins, que parou nesse dia para prestar homenagem ao primeiro monge budista do Brasil, que direta e indiretamente, ajudou todo o Brasil, seu povo, sua cultura, e deixou fortes semente das quais ainda hoje colhemos muitos frutos, e ainda colheremos muito.


