Encontro com Ryu Mizuno, pai da imigração e fiel da Budismo Primordial

Ryo Mizuno; ao centro da foto; pai da imigração japonesa no Brasil.
Nessa época surgiu um fiel do Templo Seiouji chamado Ryu Mizuno, presidente da “Empire Emigration Company” (Companhia imperial de emigração), denominado mais tarde como pai da Imigração Japonesa no Brasil, que solicitou, junto ao 40 Sumo Pontífice Nitikyou Shounin, um sacerdote para integrar o grupo de imigração ao Brasil e dar assistência espiritual aos japoneses. Quem, de prontidão, como que predestinado, recebeu e aceitou foi Ibaragui.
Parece que toda a trajetória de sua vida até então, foi para, simplesmente estar ali, naquele momento, crucial para a sua vida e para o budismo em nível mundial. Foi o início de uma história de Paixão Budista que traria o budismo ao local, a partir do Japão, mais distante da Terra.
Para poder imigrar casou-se com Tiyo Yasumura (7 anos mais velha). Foi um casamento arranjado por incentivo de seu mestre Nitikyou, indicação da monja Kamei Myouden e apadrinhamento de Nishiyama Shintaro, no dia 20 de abril de 1908, oito dias antes da partida ao Brasil.
Após longa viagem de terceira classe no navio Kassato-Maru, chegaram ao Brasil no dia 18 de junho de 1908, desembarcando no porto de Santos. No início, a vida era como a de qualquer imigrante, uma vez que converter fiéis era quase impossível, pois todos se dedicavam ao trabalho, deixando a religião de lado, interessavam-se somente em retornar mais ricos ao Japão.
Passado alguns anos, Ibaragui achou melhor fundar uma colônia Butsuryu HBS, convertendo fiéis em grupo, ao invés da conversão individual. Retomou ao Japão pela primeira vez em 1926 para levar sua proposta ao 11º Sumo Pontífice Kajimoto Nissatsu, o qual aceitou e apoiou a idéia, contratando advogados da Religião para que o plano pudesse ser aprovado pelo governo, japonês. Apesar do grande empenho, a autorizaçãO foi negada pelo governo, que considerava prematuro um projeto religioso no Brasil.
A negativa desanimou Ibaragui que lá gastara quase dois anos à espera de um resultado positivo. Não bastasse isso, recebeu um telegrama noticiando a morte de seu irmão Shintaro. Iniciou os preparativos para retornar ao Brasil e o fez, chegando em 1 de janeiro de 1929.
Todavia, ao chegar, não encontrou sua esposa e nem a casa. Conforme orientação do próprio Ibaragui, ela havia vendido tudo e voltara para encontrar com o esposo que há muito havia partido e não retornara. Por falta de meios de comunicação em tempo hábil, não havia meios de Ibaragui imaginar que ela já havia executado a venda e partido ao Japão para reencontrá-lo.
Sabe-se que os dois se desencontraram em alto mar, e que os dois navios, o de volta de Ibaragui e o de ida de Tiyo, atracaram ao mesmo tempo na cidade do Cabo, África do Sul, onde se desencontraram para nunca mais se verem. Estavam ali, lado a lado e o destino os separou para sempre. Apesar desse histórico desencontro e infortúnio, Ibaragui, depois de um período de visível abatimento, reagiu. Em nome de seu mestre, da esposa e de seu irmão que haviam partido (sua esposa faleceu no ano seguinte) determinou-se a permanecer aqui para continuar a sua nobre missão, pois para ele a expansão da Religião era muito importante.
Em 1929, como convidados de Ibaragui, veio para o Brasil o seu tio Kisaburo Mizoguti e família. Em 1932, fiéis pioneiros da região e alguns que já eram fiéis desde o Japão, converteram cerca de 13 famílias para a religião. Devido a necessidade de um orientador religioso, Ibaragui mudou-se para a casa de seu tio, por solicitação deste, a fim de concretizar sua missão religiosa.
A primeira família budista da HBS no Brasil foi a família Endo, procedente de Miyagui, convertida já dentro do Navio Kasato-maru. Endo Toyonosuke que se converteu à religião dentro no Navio, dormia na beliche de cima no mesmo quarto de Ibaragui. Toyonosuke era apenas um ano mais velho que Ibaragui, e devido também a essa jovialidade, ambos se tornaram grandes amigos durante a viagem e por toda a vida. As circunstâncias em que os dois se encontraram, marcou-os demais. Principalmente o fato da primeira conversão ocorrer ainda em alto mar. Endo Kiyosu, esposa de Toyonosuke e Endo Yuki, irmã mais nova de Toyonosuke, representam a primeira família convertida por Ibaragui no Brasil e participantes do primeiro culto budista da história, realizado logo ao desembarcar na manhã de 19 de junho de 1908.
Houve outras conversões isoladas no período inicial da imigração, mas devido às constantes transferências de Ibaragui, nenhum grupo se formou ou houve a possibilidade da organização de um movimento concreto de expansão, pois a luta pela sobrevivência era muito árdua.
CONTINUA…..
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