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Arquivo da categoria: Budismo

Gohonzon – Imagem Sagrada

Algumas pessoas acreditam que, para serem religiosas, é necessário ter algo para
adorar.
Existem várias explicações para o Gohonzon; mas o sentido de
adoração seria a vontade de se elevar às alturas em que se acha o Buda, e de se
construir um lar, ou uma sociedade, onde se reúnam somente pessoas de boa
vontade como Ele.
O Ser de adoração, tomando por base o budista, nunca
deve ser um animal ou muito menos um objeto, pois seria querer igualar-se a
tal.
A nossa doutrina tem por meta trazer o “Satori” (Iluminação) do Buda
à vida cotidiana da nossa sociedade, através da compreensão e de um constante
aprimoramento.
Há quem diga não haver diferença entre uma religião e
outra, isto é, que todas são iguais.
Mas, na realidade, a verdade é
outra. Por exemplo, quem tem o hábito de beber, escolhe a marca que lhe
proporciona mais sabor e mais satisfação.
Portanto, para essa pessoa as
bebidas não são iguais, mesmo que oriundas da mesma
matéria prima.

Dessa maneira, entre os religiosos existem seguidores de diversas seitas, cada
um por achar que a sua é que melhores condições reúne para a própria satisfação
espiritual.
Para Nitiren Shonin o Gohonzon se resume na causa, essência e
semente da iluminação, ou seja, no próprio espírito do Buda Primordial o
Namumyouhuorenguekyou, que se desperta dentro de nós quando
dedicamos orações e atos derivados dela.

 

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O que acontece ao se praticar a fé?

À medida que praticamos a fé, lapidamos nossa natureza búdica, nosso coração se
purifica e os carmas negativos acumulados vão sendo eliminados. Com a eliminação
do carma negativo, eliminamos também as causas que nos fazem sofrer e, com a
purificação do coração melhoramos nossos atos e conseqüentemente acumulamos mais
virtudes, que representam a causa das bênção que recebemos. Através deste
procedimento, exatamente quando estivermos transbordando de virtudes é que
teremos concretizado o estado de Buda, a iluminação.

Porém, no Sutra Lótus, aprendemos o seguinte:

Quando estivermos transbordando de virtude, ao invés de optarmos pela
iluminação, devemos optar pela salvação dos seres. Ou seja, devemos usar as
nossas virtudes para estendermos a salvação aos demais seres. Sendo assim,
estaremos nos transformando em verdadeiros dominantes do nosso sucessivo ciclo
de renascimentos. Dando um basta na desenfreada busca da felicidade individual e
concretizando a felicidade mútua, única que representa a iluminação
verdadeira.

Seremos verdadeiros Bossatsu (Ser altruísta que expande o Darma e assim salva
as pessoas) que também é considerado o único ser merecedor da iluminação, pelo
fato da sua felicidade não ser egoísta.

E se não praticar a fé?

Existem muitas pessoas boas, respeitadas e dedicadas que não praticam a fé.
São pessoas que pela benevolência são merecedoras de reconhecimento, de amor e
respeito. Porém, enquanto não praticarem a fé não conseguirão se desligar
completamente deste mundo de desejos e incertezas.

É exatamente tal como a famosa parábola do “Nobre pai pobre filho”, em que o
pobre filho vaga e não consegue encontrar o próprio pai, o caminho de volta para
casa porque desconhecia a sua verdadeira origem.

Então por que se pratica a fé ?

No Sutra Lótus consta da seguinte forma:

Deve-se praticar a fé porque todos somos filhos do Buda Primordial, e por
isso, se lapidamos a nossa natureza búdica concretizaremos a iluminação. Nossa
vida não existe em função da satisfação dos prazeres mundanos. Nossa vida existe
como se fosse um palco para encenarmos (concretizarmos) a iluminação.

No começo deste capítulo, quando mencionamos o famoso poeta Miyazawa Kenji,
certamente era em relação à importância de saber desse objetivo de ter nascido
ao qual ele se referia quando ensinava aos seus alunos.

Praticamos a fé, para lapidarmos e extrairmos o Buda que existe dentro de
nós. E em matéria de lapidação da natureza búdica não há método melhor que orar
o mantra sagrado Namumyouhourenguekyou, que existe especificamente em função
dessa nossa suprema necessidade. E, como todos precisam de lapidação, é por isso
que também valorizamos sobremaneira a expansão desse Darma Sagrado.

No Sutra Lótus consta que se expandirmos a virtude do Namumyouhourenguekyou,
todos juntos, concretizaremos a iluminação e receberemos as bênçãos.

****Interpretação do livro publicado em janeiro de 2003 para catequese
budista realizada no Templo Hondyouji (Osaka/Japão). Livro de 50 p., capa de cor
amarela e intitulado “Hokekyou ni tokareru dinsei no imi”.

Fonte: Revista Lótus nº 59 Pg 29

 

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Por que rezar?

Por ser um mantra, ou melhor “O mantra dos mantras”, ou seja uma espécie de
“abracadabra” é uma palavra que exerce mais uma função que é um significado.
Normalmente é dito que só quem ora constantemente chegam ao sentimento uno da
oração. Pode ser expresso, transmitido por meio de alegria, esforço e outras
formas.

Cremos que, todo este misticismo contribui para que possamos tender mais para
o lado da fé que o da intelectualidade. A fé faz parte de um mundo misterioso,
ou seja desconhecido e as vezes improvável, mas que existe e atua dentro de nós
fortemente. Namumyohorenguekyou é a fórmula na qual o Buda Primordial (Ser
Supremo), compactou e embutiu todas as virtudes da sua prática para que não
precisássemos fazer tudo desde o começo e sim a parte mais importante. É como se
fosse um remédio ou vitamina pronto para ser ingerido. Se tivéssemos que
preparar o remédio adequado a nossa doença, as vezes até desconhecida,
fatalmente morreríamos antes. Aí está uma das maiores demonstrações de compaixão
de Buda. Literariamente pode-se tentar traduzir esta oração sagrada da seguinte
maneira:

Namu: Devoção. Ato de oferecer esforço vital. Myoho: Lei mística universal.
Rengue: Flor de Lótus. Viver tal como uma, não se maculando às impurezas. Kyou:
Sutra (ensinamento de Buda) ou seja se traduzíssemos como “Ensinamento da Lei
(que rege a) mística universal figurada no modo de viver e desabrochar da flor
de lótus” perderia todo o encanto da oração, que vai além de qualquer uma dessas
meras palavras.

Dizemos também que é a linguagem dos Budas e Deuses, que através da oração
podemos ser compreendidos e manter contato.

Nós somos uma parte, uma das partes mais importantes do Namumyohorenguekyou,
pelo fato de podermos expandi-lo na forma da fé e compaixão, a mesma demonstrada
ao recebermos o Namumyohorenguekyou, pronto e mastigado. Nossa prática foi
facilitada.

Fonte: Panfleto Religioso da HBS

 

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Grande Mestre Nissen Shounin

 

Nasceu no dia 1º de abril de 1817. Seu pai chamava-se Jirou Uemon Kiyoyoshi e sua mãe, Kuni. Seu nome de infância era Ooji Sendirou. Recebeu grande influência da família, que prezava as artes literárias, tornando-se mestre na arte de caligrafia, literatura e poesia. Já aos 12 anos figurava entre as pessoas mais
célebres da época da literatura da Era Meiji.

Aos 32 anos de idade, abalado com a morte da mãe e influenciado pela obra “Verdadeira adesão ao Sacerdócio” (Shinditsu Shukkeron) de Nitiryu Daishounin, ingressou na carreira sacerdotal no Templo Ryusenji, na Ilha Awaji, tendo Nitiyou como seu mestre. Seu nome sacerdotal foi Seifu. Foi perseguido e caluniado tal como Nitiren Daibossatsu e Nitiryu Daishounin. Mesmo assim no dia 12 de janeiro de 1857 fundou historicamente a Honmon Butsuryu-Shu. Passou a chamar-se Nagamatsu Nissen.

Compôs mais de 3000 versos explicativos sobre a verdadeira doutrina do Sutra Lótus, para que a fé fosse praticada exatamente nos moldes que os Grandes Mestres delinearam. Sua obra de mais de 30 volumes de escrituras constitui a base da doutrina da Butsuryu-Shu. É o Mestre Fundador da Honmon Butsuryu-Shu e Restaurador do Budismo da Era Moderna, fazendo com que a prática da fé se tornasse
acessível e praticável por toda a população.
Faleceu no dia 17 de julho de 1890, aos 74 anos de idade.

 

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Grande Mestre Nitiryu Daishounin

 

Nasceu no dia 14 de outubro de 1385, em Imizu, atual província de Toyama no Japão. Seu pai chamava-se Momoi Hissanori e sua mãe, Tomiko. Aos 12 anos ingressou na carreira sacerdotal no Templo Onjyouji e recebeu o nome de Jin-en de seu mestre Keijyuin. Aos 14 anos partiu para o Templo Myoukenji, em Kyouto, onde o Sumo Pontífice era o Mestre Nissai e também onde se encontravam os mestres Nitizon e Nitidou.
Desde então até os 26 anos de idade dedicou-se ao Shugyou, ou seja,
prática ascética budista.

Entretanto, após o falecimento do Mestre Nissai, o monge Gatsumyou, assumiu como Sumo Pontífice e passou a pregar a igualdade entre os ensinos provisórios e primordial do Sutra Lótus. Foi com o objetivo de reestruturar a linha deixada pelo Grande Mestre Nitiren Daibossatsu é que em 1410 por advertir os infratores foi expulso. Em 1415 fundou o Templo Honnouji, reiniciando a prática conforme Nitiren Daibossatsu deixou. Grande expansionista, fundou muitos templos e nos últimos dez anos de sua vida dedicou-se à instrução de discípulos e doutrinação, deixando 363 volumes e mais de 3000 artigos escritos. Faleceu aos 80 anos de idade no dia 25 de fevereiro de 1464.

 

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Grande Mestre Nitiren Daibossatsu

Zennitimaro nasceu em 16 de fevereiro de 1222, em Kominato, atual província de Tiba. Seu pai chamava-se Nukina no Jirou Shiguetada e sua mãe, Umeguiku. Aos 12 anos ingressou no Templo Seityouji, em Kamakura, como aprendiz sacerdotal e recebeu o nome Rentyou de seu mestre Douzenbou. Aos 16 anos ao ser ordenado sua sabedoria já era inigualável. Deixou o Templo Seityouji e foi buscar maior aprofundamento no Monte Hiei, a mais conceituada escola budista da época.

Depois de anos de peregrinação, estudo e pesquisa, no dia 28 de abril de 1253 declarou o Rikkyou Kaishuu (Estabelecimento da Religião do Odaimoku) orando em voz alta pela primeira vez o Namumyouhourenguekyou, aos 32 anos de idade. Por dar início à prática dos ensinamentos destinados à Era em que vivemos é chamado de Mestre da Era Mappou. Desde o início da prática da oração do Odaimoku até seu falecimento passou por quatro Grandes Admoestações e outros incontáveis obstáculos. Todos serviram para fortalecer e autenticar a sua condição de Enviado do Buda Primordial, ou seja, Jyougyou Bossatsu, conforme previsto no Sutra Lótus. Sua determinação, compaixão e vigor, fundamentados pela fé em todas as atividades são suas características principais que ainda hoje herdamos e praticamos.
Faleceu no dia 13 de outubro de 1282 aos 60 anos de idade.

 

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Recitação do Odaimoku

- Prática Primordial -
Recite com devoção

O espírito de devoção deverá predominar enquanto estiver orando. Representa sua entrega e sentimento de profunda adoração, o que naturalmente favorecerá a sua interação com o Gohonzon no momento da
oração. Tal devoção poderá ser demonstrada através do sentimento de disciplina (atos respeitosos) e determinação (oração fundamentada e convicta). Esta postura fará com que nossas orações sejam
verdadeiramente produtivas e revigorantes em todos os sentidos. Esta é a conduta do seguidor do Sutra Lótus.

Iniciar a oração com:

Oramos o NAMUMYOUHOURENGUEKYOU, causa, essência e semente da iluminação contidas nos Oito Primeiros Capítulos do Caminho Primordial do Sutra Lótus, transmitidas pelo Jyougyou Bossatsu.

Honmon Happon Shoken Jyougyou Shoden Hon-nin Gueshu no
NAMUMYOUHOURENGUEKYOU, NAMUMYOUHOURENGUEKYOU…

(seguir com recitação contínua)

Recomenda-se a pronúncia do Odaimoku, no
mínimo 1000 vezes, ou seja, cerca de 15 a 20 minutos, manhã e noite. Esta seria
a prática básica diária.
Lembramos que a iluminação imediata só ocorre
através da total entrega à oração do sagrado
NAMUMYOUHOURENGUEKYOU.


 

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Recitar o Odaimoku diariamente é semear a felicidade!

“A Fé consiste em orar
dia e noite.
O acúmulo de virtudes se
transformará em bênção
.”
Manhã e Noite

Realize as orações ao iniciar o seu dia, rogando por mais um dia
de boas realizações. Quanto mais será melhor (uma sugestão é mil Odaimoku) para
que seu coração sinta-se fortalecido pelas forças que o Gohouzen nos proporciona
para enfrentarmos as situações inesperadas com paz e serenidade.

Realize a oração ao finalizar o seu dia, pela gratidão de ter
vivenciado mais este dia com saúde em prol do Darma Sagrado. Ore para sentir em
seu coração esta felicidade e alegria pelo bem estar de sua família e dos
seres.

 

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História do Budismo no Brasil – 5/5

Em Outubro de 1940, Ibaragui inaugurou o 2° Templo denominado Jyogyouji de Quatá (hoje extinto), num terreno doado pelo Sr. Fuji. No dia 12 de Janeiro de 1941, foi inaugurado na cidade de Presidente Prudente, o Templo Nissenji. No mesmo ano, com o início da Segunda Guerra Mundial, a missão de expansão por parte dos bispos, sacerdotes e fiéis, encontraram sérios obstáculos, devido a política adotada pelo governo aos estrangeiros. Não eram permitidas as conversas em língua estrangeira e nenhuma reunião de qualquer natureza.

Para deslocar-se de um local a outro era necessário um salvo-conduto dos órgãos federais; nesse contexto, converter um fiel e expandir a religião era quase impossível.

Esse período durou cerca de cinco anos, até que em 1946 com o término da guerra, as medidas foram sendo gradativamente amenizadas, possibilitando a Ibaragui realizar um sufrágio (oração aos mortos, ireissai) em memória aos imigrantes falecidos no Brasil e também aos mortos na Segunda Guerra Mundial. Compareceram cerca de mil pessoas, dentre elas fiéis de outras religiões. Foi também nesse período que ocorreu a ordenação de Seiko Jimbo.

Em 1947, mais um discípulo foi ordenado por Ibaragui, chamava-se Guenjyo Ishikawa. No dia 13 de Outubro de 1951 foi inaugurada a nova sede da Religião Budista Honmon Butsuryu-Shu do Brasil, o Templo Taissenji na cidade de Lins. Nessa ocasião houve também a ordenação do sacerdote Seiro Okamura.

No início da década de 50, dentro da colônia japonesa haviam pessoas que não admitiam a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, e as brigas de “Vencedores e Perdedores” eram freqüentes. Para evitar alguma revolta por parte dos japonesesinconformados,a polícia proibiu as conversas em grupos, reuniões e viagens. Qualquer desobediência acarretava em prisão. Mas Ibaragui “Nissui Shounin” (Título de sacerdote superior concedido pela matriz em 1°. Abril de 1952), não se intimidou com as tais medidas e continuou sua missão: Para ele, sua vida era em prol do Darma e independente das constantes ameaças de prisão continuou sua missão.

Em 1965, a convite da matriz mundial, viajou para o Japão juntamente com os assistentes Oikawa Seidai, Seihan Sassaki, o fiel Toyokazu Kawazaki e o Presidente da Federação Budista do Brasil, Noboru Fujimoto. Durante três meses, viajaram pelo país inteiro, participando de congressos e seminários, visitaram Templos e lugares turísticos. Em todos os Templos por onde passou, Ibaragui foi recebido com honrarias e festas.

Retornou ao Brasil em Julho de 1965 juntamente com o Nitigue Mimaki que lhe sucederia como arcebispo no Brasil. No ano seguinte 1966, Ibaragui contraiu uma doença nas cordas vocais dificultando a comunicação oral. Mais tarde constatou-se que era câncer na garganta e sua saúde agravou-se cada vez mais, nas viagens eram necessárias várias paradas para as necessidades fisiológicas. Em 1971, com doações de fiéis de todo o Brasil, foi construído um monumento em homenagem ao Arcebispo Ibaragui Nissui na cidade de Lins, no Templo Taissenji. Para a cerimônia de inauguração, vieram do Japão o Sumo Pontífice Tanaka, o Primeiro ministro da religião, Nishimura Nitiji, bispos e sacerdotes, além de 33 fiéis.

Estiveram presentes também várias autoridades políticas, nessa ocasião Ibaragui com todo o seu esforço proferiu, com a voz quase inaudível, seu último discurso de agradecimento à todos os bispos, sacerdotes e fiéis do Brasil e Japão, que ajudaram em sua missão de expandir a Religião. Todos ficaram comovidos, sabendo que não o veriam novamente.

No dia 1°. de Novembro de 1971, todos os meios de comunicação da colônia japonesa noticiaram o falecimento de Ibaragui Nissui Shounin, aos 85 anos de idade. O funeral provocou comoção em toda a cidade de Lins, que parou nesse dia para prestar homenagem ao primeiro monge budista do Brasil, que direta e indiretamente, ajudou todo o Brasil, seu povo, sua cultura, e deixou fortes semente das quais ainda hoje colhemos muitos frutos, e ainda colheremos muito.

 

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História do Budismo no Brasil – 4/5

Organização da Expansão

Na década de 30 começaram a surgir focos de fiéis da HBS na região de Guaiçara, que procuravam se organizar para formar um grupo. Dentre os primeiros fiéis desse grupo se encontram:

Ryujiro Matsuo, Kisaburo Mizoguchi, Yoneji Matsubara, lhati Hara, Matsuhei Matsuda, Risaburo Kunikata, Yukimi Kitamura, Shujiro Hitai, Yoshihara Rintaro, Ogura, Seihiti Konishi, Yutaka Mizobe, Ryoiti Oóti, Bunjiro Suyama, Veda Masakiti, Masutaro Mizoguti, Kisao Tanbara, Yutaka Mizobe, Mitsuyuki Kaminobou, Kazuo Matsubara, Yoshida Shigueji, Iwasa Shohati, Eitaro Mizoguchi e Nobutaka Sato são os mais destacados, e outros.

Na casa dos Mizoguti, Ibaragui ajudava na agricultura durante o dia, e à noite dedicava-se aos cultos e orações fervorosas em auxílio aos fiéis. Posteriormente foi morar com a fannlia Sato, passando a dedicar-se inteiramente à expansão da Honmon Butsuryu-Shu, fazendo rodízio nas casas dos fiéis e orando por todos que necessitavam de bênçãos. Orava diariamente cerca de doze incensos (9 horas) fazendo com que muitos fiéis recebessem a graça do Gohouzen.

Nessa época, como não havia templo, os cultos e as grandes orações eram celebradas nas residências dos fiéis, altemadamente. Num desses grandes cultos, especificamente em reverência a Nitiren Shounin, realizado em outubro na casa do Sr. Sato Nobutaka, comentou-se que chegara um sacerdote da seita Nitiren nas terras do Sr. Sassaki, em Promissão. Logo Yoneji Matsubara foi ao local citado e constatou que se tratava de um sacerdote da Honmon Butsuryu-Shu chamado Guenso Teraoka. Ele começou a participar dos cultos, onde explicou ser discípulo do Bispo Kamei Nisshou Shounin (13°.S.Pontífice), que atuava na região de Azabu em Tóquio, pelo Templo Kouryuji e que resolveu vir à América do Sul para expandir a religião, para se redimir de seus erros cometidos e ser perdoado pelo seu mestre.

Segundo hoje sabemos, tal “erro” na verdade foi ter se separado da primeira esposa para fugir com uma outra, Sassaki Raro (Teraoka), o que na época era motivo de grande vergonha e desonra, principalmente para um sacerdote. Daí, a penitência a qual se submetera diante de seu mestre vindo ao Brasil. Além de um fato histórico, hoje de alguma forma também pode ser descrito como uma história de amor de um monge.

Jamais saberemos as motivações intimas do Sac. Teraoka, mas sabemos que, faleceu relativamente novo, aos 44 anos de idade, em 1939. Mas, não antes de ter sido o braço direito de Ibaragui durante os quatro anos que atuou como sacerdote no Brasil (1935~1939), e primeiro a dar a idéia da construção de um templo, já que o número de fiéis ultrapassava quarenta, na época.

Guenso Teraoka após sua integração ao grupo, com consentimento de todos e de Nissui Shounin, empenhou-se em sua missão, aumentando cada vez mais o número de adeptos. Até hoje sabemos que seu discurso religioso era tão contagiante que, muitas pessoas se convertiam após escutarem as suas transmissões.

O aumento foi tão grande que em 1936, as casas dos fiéis já não comportavam mais o número de pessoas que compareciam aos cultos. Começaram então a discutir a construção de um Templo. O Sr. Yoneji Matsubara, fiel ativo e fervoroso, doou parte de seu terreno para a construção do Templo que foi inaugurado em 13 de Novembro de 1936 com o nome de “União Shinkaijyo” (Núcleo de Culto União). “União” deriva do nome do vilarejo, vizinho de Aurora, onde o núcleo foi construído. Chamava-se também Colônia União e localizava-se a 8 quilômetros de Lins. Na ocasião da inauguração e grandes cultos deste período “União” chegavam a participar cerca de 300 fiéis.

Desde o início, Ibaragui foi o Bispo deste Templo (Núcleo) fundado em 1936 e, em 1939, ordenou os sacerdotes Seihan Sassaki e Seidai Oikawa, e no início de 1940, a sacerdotisa Myoshun Teraoka, viúva de Guenso Teraoka.

CONTINUA……

 

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