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Era a primeira vez que Buda voltava a seu país, depois de ter
atingido a iluminação. Rafula e sua mãe de longe observavam a aproximação de
Buda. Seu aspecto era belo e soberano.
Sua mãe lhe disse:
-
Aquele é seu pai. Rafula era o filho de Buda. Rafula cumprimentou-o
respeitosamente e lhe disse:
- Por favor, meu pai, divida o que tem
comigo.
Buda observou Rafula à sua frente por alguns instantes e disse:
- A única coisa que tenho, são os ensinamentos. Por acaso deseja recebê-los,
ingressar ao sacerdócio e levar a vida ascética?
Enquanto dizia isso Buda
acariciava o cabelo de seu filho. Logo em seguida Rafula emocionado respondeu.
- Sim, quero.
Buda solicitou ao seu discípulo Sharihotsu que
preparasse toda cerimônia de ordenação. Preocupado com detalhes, Sharihotsu
perguntou.
- Que tipo de cerimonial, como alojá-lo, seu traje, e
alimentação, como deverão ser?
Buda respondeu.
- Exatamente
igual ao de todos os outros. Não lhe dê nenhum tratamento especial por ser filho
meu.
E assim, tal como todos os outros, Rafula tornou-se sacerdote e
discípulo de Buda.
Certa vez, quando Rafula acompanhava Buda numa
peregrinação pela cidade, repentinamente foi golpeado violentamente por uma
pessoa que era contra o budismo. Rafula com a cabeça sangrando pensou: Que
violência absurda. Vou encontrar a pessoa que me machucou, acabar com ela e toda
sua família. Pensou com tanta raiva que sua fisionomia de raiva era visível por
qualquer um.
Buda abraçou-o e limpando o sangue que escorria pelo seu
rosto disse:
- Você já havia aprendido sobre isso, que ao adotar o
sacerdócio passaria por todos esses sofrimentos. Sabendo que tudo que faz e lhe
acontece é em função da expansão deve fortalecer-se e com compaixão melhorar a
cada dia.
Rafula, apesar de não ter pensado realmente em revidar
sentiu-se envergonhado em ter sido tomado pela raiva da pancada. Rafula
continuava sua vida sacerdotal, mas ainda muito novo e inexperiente preocupava
muito seus companheiros.
Certo dia quando Buda voltou de uma missão
solicitou a Rafula que pegasse água do poço e lavasse os pés nela. Rafula ouviu
e foi pegar a água. Foi quando Buda perguntou-lhe.
- Pode usar essa água
para beber?
- Não agora após ter lavado os pés nela.
- Tem
razão, mesmo tendo sido potável, uma vez usada já não se pode mais beber. Então
use a bacia para comer. Rafula respondeu:
- Eu não posso usar a mesma
bacia para comer e beber.
- Tem razão também. Acabou de lavar os pés na
bacia, não deve usá-la para comer. Depois de ter colocado os pés na bacia já não
se pode usar para colocar coisa limpa nela.
Dizendo isso Buda chutou
levemente a bacia de barro que rodopiou e se quebrou. Logo em seguida perguntou
a Rafula se lamentava a bacia ter sido quebrada.
Rafula respondeu:
- Não, ela estava suja e não servia para mais nada mesmo. Buda
completou:
- Isso mesmo. Agora pense comigo. Quando as pessoas chegam me
procurando você as engana sempre respondendo o lado oposto de onde estou. Está
sendo como uma bacia suja. Sujando-se dessa forma, logo as pessoas não
lamentarão mais se quebrar.
Os ensinos que prego são provenientes da
maior pureza que existe. Portanto, deve tornar-se capaz de não manchá-los, tanto
de forma física, oral, como mental. Se realmente não se tornar sábio, e
indispensável aos outros, não terá se tornado num verdadeiro discípulo de
Buda.
Rafula, que desde o inicio da conversa estranhava as perguntas de
Buda, agora sim compreendeu. Olhou novamente para a água suja e a bacia quebrada
e, percebeu que elas estavam representando ele mesmo.
Depois desse dia,
Rafula nunca mais transgrediu sequer uma das tantas regras estabelecidas por
Buda, tornando-se, dentro de toda legião de monges, no “Praticante nº 1 dos
Mandamentos”.
Fonte: Revista Lótus nº 33
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