Enunciado de Funeral do Budismo Primordial (Ossoushiki)
O Grande Darma Secreto, dentre os três, quintessência do Caminho Primordial, causa e semente primordiais transmitidas pelo Jyougyou Bossatsu Namumyouhourenguekyou.
Devotamos ao Buda Shakamuni, iluminado desde o tempo primordial, Grande Benfeitor do Budismo e ao Buda Tahou, testemunha do Sutra Lótus.
Devotamos aos Quatro Grandes Bossatsu, liderados por Jyougyou, e a todos os sessenta mil Bossatsu Primordiais emergidos dos mil mundos, acompanhados de tantos convertidos quantos são os grãos de areia do Rio Ganges.
Devotamos o único Buda, binômio, que direcionou sua iluminação para a Causa Primordial e concedeu-a ao Jyougyou Bossatsu, presente nos Nove Mundos que renasceu entre os seres, na nobre figura de Nitiren Daibossatsu, como Grande Mestre da Era Mappou.
Oramos em gratidão pela sua soberba compaixão e misericórdia.
Oramos em gratidão pela soberba compaixão e misericórdia ao Grande Mestre Nitiryu Daishounin, sucessor de Nitiren e reestruturador da linha dos Oito Primeiros Capítulos do Caminho Primordial do Sutra Lótus.
Ao Grande Mestre Nissen Shounin, fundador da Honmon Butsuryu-shu, a todos os Mestres Antecessores e aos Sumo Pontífices dedicamos nossa profunda gratidão.
Com respeito e veneração, diante de todas as divindades dos Dez mundos que abdicam do grau supremo, estabelecendo-se no grau e estado Primordial, celebramos o funeral de (nome), finado(a) deste mundo do Caminho Primordial do Sutra Lótus, em (data), aos (idade) anos de idade. Encerrando assim sua jornada nesta Terra de Resistência, rumo à suprema iluminação. Rogamos a eliminação das desvirtudes desde o passado remoto, o afastamento dos sofrimentos e a superação dos ciclos de nascimento e morte, concretizando assim, a grande iluminação pela força do Sutra, Myouhourenguekyou.
Consta no Sutra Lótus:
“Sempre pensei em como fazer para conduzir os seres ao Caminho Supremo e rapidamente fazê-los atingirem a iluminação” (Cap.16°.S.Lótus. Kaiketsu p.429)
“Após o meu regresso devotai a este Sutra. Recebei de ]yougyou Bossatsu o Darma Sagrado. Praticai, com determinação e sem duvidar, o caminho de Buda” (Cap.21°.S.Lótus Kaiketsu p.506)
“Não duvidai do ensinamento que diz: Sou o único capaz de salvar plenamente” (Cap.3°.S.Lótus. Kaiketsu p.162)
O Grande Mestre Nitiren Daibossatsu nos ensina:
“Rogo apenas devoção a este Sutra. Que seu Título cubra o mar de votos dos Budas das Dez Direções, e sua Glória seja ofertada aos céus da compaixão dos Bossatsu dos Três mundos. Portanto, o devoto do Sutra Lótus tem como aliado os Dragões Celestiais, os Oito Tipos de Seres e todos os Grandes Bossatsu. Além disso, seu corpo receberá a visão búdica plena, sua pele efêmera será coberta pelo manto sagrado. Não temerá os Três mundos inferiores e nem receiará os Oito Obstáculos. Subirá ao topo da montanha dos Sete Expedientes e dissipará a nuvem dos Nove mundos Dármicos. Desabrochará no jardim da Terra Imaculada e, como a lua no céu dármico, terá seu brilho maior”
(Escritura: Jimyou Hokke Mondou-Shou. Shukussatsu p. 471)
“Nitiren é o maior devoto do Sutra Lótus. Dentre todos os discípulos e seguidores de Nitiren, aqueles que vierem após minha partida, declarem-se seguidores diante das divindades Bonten e Taishaku, dos Quatro Grandes Reis Celestiais e do Rei Dármico Enma, e tenham passagem livre. Este Sutra, será a embarcação ao atravessar o Rio Estige dos Três Mundos Inferiores, será a grande carruagem do boi branco na montanha da morte e será a luz no mundo das trevas. Será a ponte que conduzirá ao Monte Sumeru. Após então, prossigam rumo ao nordeste do Monte Sumeru, onde certamente estarei aguardando”
(Escritura: Hakiri Gosho. Shukussatsu p. 2114)
“Para aquele que, sinceramente, abandonar os ensinos provisórios, crer no Sutra Lótus e orar unicamente, o Namumyouhourenguekyou, os Três Caminhos – Tentação, Carma e Sofrimento – transformarão nas Três Virtudes – o Corpo Dármico, a Sabedoria e a Libertação. As Três Visões e as Três Evidências manifestar-se-ão numa só mente. O local onde reside esta pessoa será a Eterna Terra Pura.
Serão méritos dos discípulos e seguidores de Nitiren: A Terra habitada e o habitante, a mente e a matéria, o corpo e as funções conjuntas, os Três Corpos Búdicos por excelência, e a vida eterna do Caminho Primordial do próprio corpo búdico Flor de Lótus. É o que representa o próprio corpo do Darma de Lótus . É a manifestação da onipotência da força divina”.
(Escritura: Toutaiguisho. Shukussatsu p. 991)
É a Grande Luz que ilumina na longa noite do ciclo de renascimento. É a poderosa Espada que corta a obscuridade original dos seres.
(Escritura: Shokyou to Hokekyou Nan-idi Shukussatsu p.l.949)
Até que ponto podemos confiar na mente!?
Na reportagem da revista veja (nº 1560, agosto 98), que diz
respeito ao poder da mente consta o seguinte texto: “Tudo que você vê, ouve e
sente, reflete o mudo exterior. No entanto, a forma como alguém percebe,
interpreta ou reage a isso é pura criação do cérebro. O que o cérebro faz o
tempo todo, dormindo ou acordado, é criar imagens” diz o neurocientista Rodolfo
Linas da Universidade de Nova York. “Luz nada mais é que a radiação
eletromagnética. Cores não existem fora da nossa mente. Nem os sons. O som é um
produto da relação entre uma vibração externa e o cérebro. Se não existisse o
cérebro não haveria nem sons, nem cores, nem luz, nem escuridão”.
É uma afirmação interessante de se estudar. No budismo, desde
tempos remotos, através de práticas e meditações muitos buscaram um estado de
“Vacuidade” afirmando que tudo o que vemos são produtos da mente e que na
realidade a “realidade” não existe fora da nossa própria mente. Também
aprendemos que a vacuidade não é um simples “vazio”, mas um vazio energizado,
que de repente pode dar, como deu início a formação do universo. Simplesmente
estas formas de energia se transformam em matéria e fenômenos que vemos
frequentemente. Desta forma tudo se relaciona, tudo têm seu sentido. Porém,
podemos commpreender apenas de forma fragmentada, pela própria limitação que a
mente nos impõem. Até quando estaremos condenados às imposições da mente e das
experiências que ela passa? É uma incógnita, ao menos para quem não vive a
espiritualidade fora dela.
A espiritual idade única, que no budismo se chama de
“Iluminação” significa, tornar-se dominante desta máquina de cálculos e criadora
concepções que se chama mente. Até mesmo nossos sentimentos, na maioria da vezes
é influenciaado por ela. Nesta interpretação não seria “Penso, logo existo” mas
sim que, pensar é um derivado da existência e dominância da própria mente.
A fé, como porta da iluminação, seria então o mais importante
elo entre o ser pensante, cheio de dúvidas, incógnitas e o ser convicto,
interdependente e iluminado.
Muitas vezes seu próprio inimigo, se encontra dentro de você
mesmo, e enquanto você não se tornar dominante de sí mesmo a mente continuará a
fazer isso contra você. Contra porque procurará sempre o modo mais fácil e
compreensível, sempre mais por menos esforço, e nem sempre a felicidade se
encontra nesse meio.
A mente jamais entenderá o fator “Myou” (inefável, místico) do
Namumyouhourenguekyou, porém, sua fé não precisa compreender aquilo que muitas
vezes a mente é contra. A fé, antes de tudo ora e realiza inicialmente através
das orações, depois a mente, como sempre, virá concluir. Mas, quem realizou foi
a fé. O acumulo dessas realizações resultará numa grande iluminação o tornando
num verdadeiro Bossatsu, Buda em ação.
Fonte: Revista Lótus nº96
O Que é Prática Ascética
Continuidade e Resistência
Para se tornar perito em um assunto, a melhor maneira é
caminhar passo a passo dentro desse ramo. No budismo essa prática se chama
“Ascética” ou “Shugyou”.
Explicação dos ideogramas de Shugyou.
“Shu” significa incorporar a si mesmo aquilo
que experimentou.
“Gyou” tem o sentido de andar para frente,
levantando alternadamente cada perna.
Isto é, se fizermos repetidamente uma determinada coisa,
fatalmente atingiremos um ponto mais alto dentro do ramo que escolhemos.
Na língua japonesa, a maioria das atividades, como Judou
(Caminho da Suavidade), Kendou (Caminho da Espada), Kadou (Caminho Floral),
Sadou (Caminho do Chá) etc, terminam com o sufixo “Dou”.
Dou significa “Caminho” e isto por si só significa que se trata
de uma longa estrada, não existe nada que se possa aprender e se especializar em
curto espaço de tempo.
Ora, quanto à Religião Budista Primordial também é o mesmo. A
palavra Shugyou que acabamos de aprender é apenas uma parte da palavra composta
“Butsudou Shugyou” ou seja, “Prática Ascética do Caminho de Buda”.
Portanto, de antemão sabemos que a caminhada é longa e muitas
vezes árdua, mas que certamente nos levará à Iluminação que levou Buda. É um
caminho que todos que trilharem alcançarão o mesmo resultado sem qualquer tipo
de intervenção ou restrições.
Aquisição de conhecimento não representa
sabedoria!
Há todavia, uma importante observação a fazer: A prática no
Budismo Primordial nunca prioriza a aquisição de conhecimento de forma isolada.
Aprender os ensinamentos e suas teorias de fato é importante, mas existe uma
seqüência correta para se exercitar a aquisição de conhecimento e buscar o
aprofundamento teórico da prática.
1°. Zelo = Servir à Imagem Sagrada zelando do
Altar e expandindo o Darma.
2°. Fé = Orar e compartilhar o
Namumyouhourenguekyou.
3°. Estudo = Ler, escutar, escrever e
transmitir os ensinamentos.
Esta é a seqüência e metodologia correta para que sejamos
capazes de digerir o conteúdo aprendido. Chama-se “Três Regras da Linha Nitirou”
(1245~1320). O Mestre Nitirou foi o mais zeloso discípulo de Nitiren.
O fato de conhecer a fundo os Sutras ou saber na ponta da
língua as mais difíceis teorias budistas, não significa que essa pessoa é
portadora de uma profunda fé. Há pessoas que embora totalmente ignorantes, são
profundamente religiosas, e as que não o são, embora extremamente cultas.
No Budismo Primordial HBS valorizamos principalmente o
Shugyou/Prática Ascética que segue as três regras de Nitirou. O Grande Mestre
Nitiren Daibossatsu estudou a fundo a filosofia budista, em nosso lugar, e nos
ensinou o caminho da prática ao alcance de todos. Nitiren é o perfeito exemplo a
seguir. Como mais exemplar praticante, basta segui-Io para alcançarmos o ponto
culminante da prática.
O Devoto (Asceta) Primordial do Sutra Lótus. Nitiren
como renascimento do Jyougyou Bossatsu!
O Sutra Lótus é dividido em duas partes. A primeira metade se
chama Caminho Provisório (Shakumon) e a segunda metade Caminho Primordial
(Honmon). Ocorre que o Ensinamento Honmon (Caminho Primordial) foi pregado e
concedido especificamente à uma pessoa, o Jyougyou Bossatsu. Esse Bossatsu só
participou da cerimônia de pregação dos Oito Primeiros Capítulos do Caminho
Primordial e se foi. Se foi para renascer em nossa era na pessoa de Nitiren e
cumprir a sua promessa feita ao Buda Primordial de expandir o
Namumyouhourenguekyou em nossa era. Por isso Nitiren é tido como Grande Mestre
da Era Mappou (desde o ano 1052) era de decadência em função do distanciamento
das pessoas em relação ao Darma Sagrado.
O Buda Primordial transmitiu o Namumyouhourenguekyou direta e
especificamente ao Jyougyou Bossatsu para que ele renascesse em nossa era na
pessoa de Nitiren para nos transmitir o Namumyouhourenguekyou por meio da oração
e da veneração a Imagem Sagrado do Gohonzon.
Pode se considerar como maior
obra de Nitiren todo o resumo doutrinário que fez em relação às pregações de
Buda. Segundo Nitiren Daibossatsu, para se alcançar a iluminação basta iniciar e
ter uma vida baseada na prática ascética da pronúncia do Namumyouhourenguekyou.
À essa prática é dada o nome de “Daimoku Kushou”. É fácil , e mesmo crianças,
idosos ou doentes, esteja onde estiverem, poderão pronunciar esse Mantra que
invoca a iluminação do Buda Primordial para dentro de si.
Certa vez, um crente perguntou ao Mestre Nitiren:
- Terá
grande diferença o “Odaimoku” pronunciado por um Grande Mestre como o senhor e o
Namumyouhourenguekyou pronunciado por um homem humilde como eu?
Ao que
respondeu Nitiren:
- O que o senhor acha? Qual das velas ilumina mais, aquela
acesa por um adulto ou aquela acesa por uma criança?
- Creio que é a mesma
coisa, não há diferença. Respondeu o homem.
Explicou então Nitiren:
- Dá-se o mesmo com a oração do
Namumyouhourenguekyou. Não há diferenças na força da palavra, seja ela
pronunciada por quem quer que seja. Se reproduzirmos a iluminação de Buda em
forma de prática ascética oral, tanto o senhor como eu ou qualquer outra pessoa,
todos chegaremos ao mesmo ponto. Deve porém, ouvir bem os ensinamentos para que
não perca o caminho. Para isso, vamos pronunciar juntos o “odaimoku”.
Aqui nós sentimos uma grande misericórdia de Buda. Se a prática
ascética for tão difícil, de maneira que fosse possível só a uma determinada
categoria de pessoas realizarem, só estas se salvariam. Mas a sua grande alma
procura salvar a todos, sem exceção.
A Amplitude da Prática Ascética
A prática ascética não se resume a pronunciar o
Namumyouhourenguekyou individualmente. Se pronunciarmos repetidamente, com fé e
ardor, o “odaimoku”, voltados para o Gohonzon (Imagem Sagrada) o eco das nossas
palavras se repercutirão dentro dos nossos corações e pouco a pouco nos
sentiremos como que purificados.
Isto significa que são despertadas dentro de nós as mais boas
qualidades, que constituem a essência da iluminação de Buda. Se atingirmos esse
estado, automaticamente se expandirá dentro da nossa casa, da rua onde moramos,
da cidade etc. O raio de bons sentimentos purificados, da sua cidade se
expandirá para o país todo e finalmente pelo mundo inteiro, esse é o ideal
proposto pelo Grande Mestre Nitiren.
Portanto, em hipótese alguma a prática da fé deve ser
individualista. E para que a prática ascética não se torne individualista temos
o Shugyou considerado o mais completo de todos que se chama “Kyouke Shakubuku”
ou seja, “Conversão pela orientação compassiva”. Como discípulo do mestre
Nitiren e como filhos do Buda Primordial temos esta grande missão para cumprir
neste mundo.
Essa missão é a prática ascética, em especifico chamada de ato
de conversão pela orientação compassiva.
Dois Estilos de Prática Ascética
Prática ascética pessoal (Digyou) = Prática individual Prática
ascética impessoal (Keta) = Prática coletiva
No caso, o ato de conversão pela orientação compassiva
compreende a prática ascética impessoal e por isso é considerada uma prática
completa em todos os aspectos.
No Budismo Primordial HBS praticar a fé para o bem dos outros
significa praticar para si mesmo. Isto é, o que fazemos aos outros na realidade
fazemos para nós mesmos. Por si só, a melhora individual é incompleta. Eu, você
e todos nós, juntos devemos melhorar.
No Japão temos o exemplo da grande empresa de eletro
eletrônicos Sony. Há cinqüenta anos atrás era uma pequena firma desconhecida.
Mas havia muita harmonia entre os funcionários e todos eles aceitaram
voluntariamente a redução do seu ordenado, tendo em vista o bem da empresa.
Trabalharam com afinco, todos pensando somente na empresa. E graças a isso hoje
ela é uma das maiores e mais estáveis empresas do mundo.
Se os funcionários da Sony tivessem saído da firma porque
ganhavam pouco, os prejudicados teriam sido eles próprios. O espírito de
coexistência é a essência da nossa religião. Se a sociedade melhorar, a nossa
vida também melhorará.
Se o Brasil progredir, todos nós também progrediremos
automaticamente. Portanto, devemos esforçar para que o país melhore cada vez
mais.
No dia-a-dia enfrentamos diversos problemas. Para nos
nortearmos em relação à eles e recebermos forças para avançar, participamos dos
cultos. Esses cultos são chamados de “Okou” e são realizados no templo e na
casas dos fiéis. Tanto participar do Culto (Okou) no Templo como numa residência
denomina-se Sankei (Participação no Culto). E tudo isso faz parte da abrangência
da prática ascética impessoal do Budismo Primordial HBS. São práticas que trazem
profundas virtudes para todos que realizam e eliminam carmas negativos que
bloqueiam a felicidade e o recebimento das bênçãos.
Fonte: Revista Lótus nº72
Conto Budista – Buda Pai & Filho
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Era a primeira vez que Buda voltava a seu país, depois de ter Sua mãe lhe disse: - - Por favor, meu pai, divida o que tem Buda observou Rafula à sua frente por alguns instantes e disse: - Sim, quero. Buda solicitou ao seu discípulo Sharihotsu que - Que tipo de cerimonial, como alojá-lo, seu traje, e Buda respondeu. - Exatamente E assim, tal como todos os outros, Rafula tornou-se sacerdote e Certa vez, quando Rafula acompanhava Buda numa Buda abraçou-o e limpando o sangue que escorria pelo seu - Você já havia aprendido sobre isso, que ao adotar o Rafula, apesar de não ter pensado realmente em revidar Certo dia quando Buda voltou de uma missão - Pode usar essa água - Não agora após ter lavado os pés nela. - Tem - Eu não posso usar a mesma - Tem razão também. Acabou de lavar os pés na Dizendo isso Buda chutou Rafula respondeu: - Não, ela estava suja e não servia para mais nada mesmo. Buda - Isso mesmo. Agora pense comigo. Quando as pessoas chegam me Os ensinos que prego são provenientes da Rafula, que desde o inicio da conversa estranhava as perguntas de Depois desse dia, Fonte: Revista Lótus nº 33 |
Perguntas e Respostas
Pergunta:
Quais seriam os pontos que diferenciam essencialmente vossa organização, denominada Honmon Butsuryu-Shu, e outras que também alegam ser propagadoras do budismo de Nitiren, como, Nitiren-Shu, Honmon Hokke-Shu e BSGI, ou seguidoras do Sutra Lótus, como a Tendai-Shu?
Gostaria que houvesse um enfoque especial quanto a BSGI, uma vez que foi a única que encontrei na capital do Rio de Janeiro e que se denomina seguidora do budismo de Nitiren.
Resposta:
A escola Nitiren descende da escola Tendai, e a escola Tendai possui duas vertentes, duas bases de interpretação para os ensinamentos, são: Itti (Relativista) e Shouretsu (Primordialista). O seguimento relativista entende o Sutra Lótus como um todo sem discriminações de conteúdo ou até mesmo da personalidade assumida por Buda. É indiferente se Buda, quando faz a pregação, o faz como Buda Histórico ou Primordial. Também não leva-se em conta a era em que viveu ou o público alvo. Apenas se coloca o Sutra Lótus como o Sutra Supremo e ponto final. Por isso, na era atual é chamada de relativista. Permite-se a veneração do Buda em estátua e mais lêem e reecitam o Sutra Lótus do que pronunciam a oração do Namumyouhourenguekyou, prática considerada principal por Nitiren. Tal postura “flexível”, acaba permitindo a mistura de outros Sutras à prática, como vem acontecendo nas ramificações Tendai. Até mesmo existe o ditado que diz: Assa daimoku, yuu nenbutsu. (De manhã rezam o Namumyouhourenguekyou e a tarde o Namuamidabutsu).
A Nitiren-Shu e a maioria das ramificações da linhagem de Nitiren (pelo que se sabe ao todo são mais de 40 ramificações que ostentam os ensinamentos de Nitiren), adotam a postura relativista, que, acreditamos não ter sido a postura adotada pelo próprio Nitiren. A partir de uma postura relativista e interpretativa adotada, toda a filosofia e prática se alteram. Daí é que as diferenças começam a surgir.
A HBS adota a postura Primordialista, ou seja, segue os ensinamentos que, comparativamente (devido a era que vivemos e a nossa capacidade. A grande compaixão de Buda também se revela nessa classificação) foram selecionados por Buda e nos predestinados. Portanto, conforme as orientações de Nitiren, seguimos o Caminho Primordial do Sutra Lótus, em específico do 15°. capítulo ao 22°. capítulo. Nos atemos somente a esse trecho do Sutra Lótus. Tal trecho do Sutra, desde o momento da sua pregação já nos tinha como público alvo, aliás, somente durante a pregação deste trecho é que Buda assume a sua verdadeira identidade Primordial e convoca Jyougyou Bossatsu para receber os ensinamentos. Após o término do 22°. capítulo, e a concessão individual dada à Jyougyou Bossatsu, o mesmo se retira e é dada como encerrada sua participação no Sutra Lótus.
O Jyougyou Bossatsu, considerado o mais nobre discípulo primordial do Buda Primordial, tão logo Buda terminou a pregação desses oito capítulos (Oito Primeiros Capítulos do Caminho Primordial do Sutra Lótus), se retirou. Ou seja, a pessoa (ser) predestinada a nos transmitir o Sutra Lótus na era mappou, só escutou esse trecho de ensinamento. E esse “Jyougyou Bossatsu” nasceu em nossa era na pessoa de Nitiren. Assim acreditamos, baseados em fatos, comprovações escriturais e profecias do próprio Sutra Lótus. Espero que através dessas exposições possa compreender as diferenças interpretativas e o quanto essas diferenças fazem a diferença no quesito, estar praticando exatamente conforme o ensinamento ou não. A HBS não só tenta, como se baseia totalmente na doutrina e ensinamentos considerados fundamentais de Nitiren. Ou seja, não permite qualquer tipo de interpretação, simplesmente segue à risca os ensinamentos.
Justamente pelo fato de Nitiren ser o renascimento do Jyouyou Bossatsu e por isso compreender perfeitamente a Doutrina· do Sutra Lótus, adotou a postura primordialista. Mas então, na época de Tendai a postura relativista era considerada equivocada? Não. Devido a era que se vivia. Em sua era, Tendai era, da sua forma, primordialista, porém, somente no que diz respeito à superioridade do Sutra Lótus em relação aos demais sutras. O que para o período, era a missão de Tendai.
Já no período de Nitiren, a postura primordialista, se referia não só aos demais sutras, mas principalmente também dentro próprio Sutra Lótus. A restrição sobre o seguimento e devoção única ao trecho dos Oito Capítulos se torna condição fundamental para a prática correta. Foi baseado nesta postura que durante toda sua vida, Nitiren, praticou o Shakubuku, que é a orientação compassiva voltada à expansão do Darma Sagrado, compreendido pelos Oito Primeiros Capítulos do Caminho Primordial do Sutra Lótus.
Por ser assim, Shakubuku é a orientação compassiva, dada a partir dos ensinamentos de que as pessoas não deveriam mais recitar sutras, nem mesmo o Sutra Lótus, ou adorar imagens que não fosse a do Gohonzon, Imagem Sagrada Transmitida pelo Buda Primordial e concedida ao Jyougyou Bossatsu.
Tais seguimentos nos diferenciam da BSGI que, acredita Nitiren ser o Buda, recita trechos do Sutra não compreendidos pelo caminho primordial e não adota restritamente os oito capítulos.
Embora no Sutra conste que na era mappou só seria possível se receber o Odaimoku do Jyougyou Bossatsu, parece preferir acreditar que não. Prefere buscar significados nas entrelinhas e daí começam a interpretar equivocadamente. Os ensinamentos não são para ser interpretados, são para se receber e praticar.
(Revista Lótus nº 97)

